5 de abril de 2011

Combate a Dengue



A Dengue está por aí. Estamos em época chuvosa e o mosquitinho está voando por todo lado trazendo consigo uma doença que mata.


Vamos intensificar a vigilância em nossas casas e terreiros. Por saber o quando o Omi(água) é importante em nossos rituais, devemos multiplicar nossas atenções. Por se tratar de rituais sagrados em que a manipulação não pode ser feita por qualquer pessoa, devemos designar para cada membro da casa, dentro de sua situação hierárquica, que guarde pelos potes, moringas, quartinhas, alguidás, folhas e oferendas que possam abrigar água para e por conseqüência a larva do mosquito, além do ossé (limpeza) necessário.


Na notícia da doença em qualquer membro da casa, vamos ficar atentos ao espaço sagrado porque o foco pode ser qualquer lugar e até mesmo os menores. Vasos de plantas, jarras de flores, pequenos recipientes devem ser averiguados constantemente.


Aparecendo os sintomas, além das habituais orações e mandingas, procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima, siga as instruções dos médicos quanto à necessidade de exames e o tratamento, permaneça em repouso e comunique seu Zelador. Reza e canja de galinha não faz mal a ninguém.


Deixem os agentes de saúde entrar em suas casas e ilês. Avisem sobre as áreas impróprias para visitantes, os ambientes santos, e/ou façam vocês mesmos a vasculha necessária. Deixem que os agentes coloquem observem as áreas comuns, ralos, caixas d’água e poços, pois são pessoas treinadas para localização dos focos de mosquitos e também estão de posse do remédio com as doses necessárias para estes locais.


Em caso de qualquer intolerância por parte do agente de sanitário, anote nome, data e hora da visita e comunique a secretaria de saúde. Além de intolerância religiosa ser crime ele está negligenciando a tarefa a qual foi designado. Na pior das hipóteses chamem a polícia, mas não fechem seus portões a deixar o mosquito agir por vontade de outro.


Promova faxinaços periódicos de modo a não deixar escapar quaisquer áreas. A limpeza coletiva além de ser bastante produtiva no combate a dengue pode ser um motivo de confraternização, encontro e troca de experiências entre irmãos.


Vamos exercitar a cidadania também dentro do barracão , divulgando a informação sobre a doença e prevenindo, fazendo a nossa parte.


Não deixemos um mosquito abalar a nossa fé!


Muito Axé a Todos!

Miopia


Tá lá no dicionário: Miopia (s.f)- Anormalidade visual cujo resultado é a má visão a distancia. Eu sou míope, isto é, tenho miopia e convivo bem com ela desde que não tire os óculos. Acho que sou assim para que com o passar do tempo, eu aprendesse a conviver com a limitação visual e a necessidade dos óculos me dispondo ser mais atenta e menos vaidosa.


Com a experiência, vou tentando ver além daquilo que a minha visão turva me proporciona. Esforço-me para que eu não me limite ao que está próximo de mim e ainda menos unicamente para mim. É consideravelmente difícil tentar perceber o mundo a mais que a vista alcança.


Dentro da vida espiritual e do compromisso sacerdotal que assumi, venho tentando disseminar a idéia de que devemos a todo instante nos libertar do Eu e ver no outro um pouco mais. Tento passar àqueles quem convivo que 5 minutos de observação e um pouco de carinho no coração podemos perceber mais que o aparente. Ver que sorrisos nem sempre estão assim tão abertos, que olhares escondem dores, que abraços podem ser um pedido de socorro ou apenas o alívio que só a amizade pode dar.


Mas infelizmente muitos ainda não se dão conta que muito mais grave que miopia física, a miopia espiritual, a miopia de suas almas os assola. Recusam-se a ver além daquilo que lhes é mostrado e que somente com os olhos da alma podemos ver e que nem mesmo fazem questão de perceber o próximo por estarem profundamente míopes ou até mesmo cegos pelo egoísmo.


Ajudar, fazer caridade vai além do material. Doar, ofertar, oferecer, presentear de nada vale se bons sentimentos não estão no ato. Em muitos momentos, mais vale a presença amiga, o olhar de apoio e aprovação que presentes. Na minha miopia me preocupo em não me atrapalhar entre os momentos de oferecer o tangível com o de doar o coração.


Todo o tipo de pessoa procura a Casa de Santo com todo o tipo de problema. Uns mais, outros menos, mas cada um com suas necessidades. Não nos cabe julgar o grau desta necessidade, apenas temos de fazer ao máximo para saná-las e fazer com que este saia fortalecido ou pelo menos esperançoso.


Mas esta caridade não pode limitar-se as giras no Terreiro. Devemos também nos ocupar com esta atividade caritativa também com nossos irmãos de santo, familiares e amigos, ou seja, é um exercício diário. Também temos nossos problemas, mas não podemos limitar nosso olhar a eles e ver que o irmão próximo pode estar a nos pedir ajuda no olhar ou a camuflar seus próprios dissabores. Não podemos nos colocar míopes e sobrecarregar outrem com questões que penas nós podemos solucionar.


Sim, o indivíduo se presta a caridade, porém pode ser ele quem está precisando da nossa ajuda. Vamos olhar mais nos olhos do outro e ver que ele talvez esteja estendendo a mão não só para se oferecer em caridade e sim em um silencioso SOS. Tentemos um pouco mais estar presentes nos momentos importantes dos nossos irmãos, mostrando pra ele que estamos ali com alma encharcada de amizade.


Com isso, caros, proponho que nos livremos da nossa miopia e arregalemos os olhos para o nosso redor. Proponho colocarmos nossos problemas a serem apreciados na pauta do dia mas não negligenciar disfunção alheia.


Tarefa difícil, mas não impossível. Tentando um pouco por dia, com tolerância, com compaixão, com muito carinho e um pouco de delicadeza talvez fique mais fácil e nada enfadonho.


Muito Axé a Todos!


4 de abril de 2011

Passeando pela net em uma noite chuvosa, encontrei esse texto que resume o sentimento de muitos irmãos de fé. Pensei em divulgá-lo também aqui para que possamos pensar bem e bastante nos rumos que estamos dando as nossas casas espíritas, e mais ainda o que esperamos para o nosso trajeto como trabalhadores do bem. Vamos refletir, pautados nesse texto e rever principalmente a nós mesmos. Vamos nos avaliar, avaliar nossas casas. vamos considerar os prós e contras do novo e da vaidade. Vamos repensar nossos projetos de amor ao próximo, caridade e irmandade que estamos praticando em nossos ilês. Vamos aproveitar para considerar que tipo de irmão de fé temos sido para com os nossos iguais e mais ainda com os diferentes. Muito Axé a Todos!

POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ ???


Marco Boeing


Dirigente da ASSEMA - Curitiba


Depois de alguns anos militando na umbanda, comecei a desenvolver um senso critico no diz respeito a minha religião.


Passei a observar as mudanças, as evoluções, os retrocessos, o comportamento, enfim tudo que se refere ao dia a dia da Umbanda.


Uma coisa tem me incomodado muito; a falta de simplicidade que tenho observado nos terreiros. Quando iniciei na Umbanda, pés no chão, uma roupa branca, algumas velas brancas no altar e o terreiro estava pronto para funcionar, as entidades sempre presentes, os consulentes atendidos, os médiuns felizes por estarem ali, enfim uma atmosfera propícia para pratica do bem.


Não existiam cursos como, por exemplo, formação de “sacerdotes” em dois anos, nosso aprendizado era dentro do terreiro, ouvindo o dirigente, as entidades, os mais experientes.


Muitos vão dizer que a evolução é importante e faz parte da vida, concordo, mas penso que deva ser uma evolução inteligente, coerente.


Infelizmente tenho visto muitos que inventam rituais, fundamentos praticas, muitas beirando o absurdo, outros vão buscar em outras religiões, praticas que nada tem haver com a Umbanda, em nome de uma pretensa evolução.


Vejo a subserviência, a idolatria à pessoa do “pai de santo” muito grande, vejo que em muitos casos a espiritualidade fica em segundo plano, hoje Orixá virou sobrenome e até propriedade pessoal, terreiros viraram desfile de moda ou concurso de fantasias.


Aprendi que quando se vai a outro terreiro devemos saber entrar e sair, minha Mãe de Santo, nos ensinou que quando visitamos outra casa, salvo se somos convidados pelo chefe do terreiro, somos assistência, e nosso lugar é “na fila do passe” como ela dizia. O que ocorre hoje é bem diferente, “pais de santo” que se acham no direito de exigir que se dobrem atabaques para ele, que se prestem reverencias, e muitas vezes ainda saem reparando, criticando ou caçoando do trabalho, e por que tudo isto? Justamente pelo fato de que a espiritualidade para eles é apenas um detalhe.


Não sei onde isto vai acabar, espero que acabe antes que a Umbanda acabe...


Amigos longe de mim querer generalizar ou ser o dono da verdade, como disse no inicio, sou apenas um observador do comportamento umbandista.


Ainda bem que temos terreiros que ainda mantêm a essência da Umbanda, onde a palavra de um Preto Velho ou de um Caboclo é ouvida e seguida. Onde o dirigente senta com seus filhos, ouve, explica, não tem vergonha de dizer “não sei, mas vou tentar aprender”.


Este texto nada mais é que um desabafo de um saudosista, que pisou muito em terreiro de chão batido, que limpou muito cinzeiro, que já caiu varias vezes de “bunda” no chão durante o desenvolvimento, que já levou muito “pito” de entidades, que teimou muitas vezes, mas que aprendeu a amar com todas as forças a Umbanda, e que depois de todo este tempo vivenciando a Umbanda tem uma pergunta aos Umbandistas:


POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ ???